Carlos Faria

Europeias 24: reflexões do Faial à Europa

11 de Junho de 2024


Terminadas as eleições para o Parlamento Europeu de 2024, sou de opinião que para nenhum partido em Portugal estas eleições foram um resultado plenamente satisfatório, embora tenha sido melhor para uns e pior para outros e em grau diferente em função da escala: Ilha, Região, País ou Europa.

Em primeiro lugar, num Estado onde hoje quase não há um litro de leite, um quilo de peixe, carne ou fruta, um molhe de hortícolas, um emprego ou uma infraestrutura pública ou privada que, direta ou indiretamente, exista sem fundos da União Europeia, é muito triste que os Portugueses se tenham abstido nestas eleições na ordem dos 63% e os Açorianos até tenha elevado a fasquia aos 75%.

O desinteresse por questões europeias de quem tanto depende de dinheiro desta união pode, mais cedo ou tarde, resultar na penalização da maioria que se alheia e no benefício de minorias que se mobilizam na defesa dos seus interesses.

Ao nível do Faial, a onda da Coligação continua forte e a mais de 10 pontos percentuais do PS, o que, tendo em conta que várias das principais exigências da ilha não têm sido bem resolvidas por aquela - à cabeça a questão dos transportes de mercadorias e ligações aéreas à Horta - aconteceu algo que já tinha notado: quando os Faialenses decidem mudar de governo, dão oportunidades de longa duração e, após a extensa estagnação em que a rosa deixou o Faial a agonizar, neste momento a fase é laranja e ainda sentem que é cedo para voltar a quem não tratou os Faialenses bem, mas suspeito que estão atentos e podem não se acomodar agora durante tanto tempo como no passado.

Ao nível dos Açores,o mais relevante é o facto de, pela primeira vez, existirem três deputados no Parlamento Europeu vindos da Região, se serão capazes de se unir na defesa do Arquipélago ainda é cedo para se saber, mas o potencial está aí e veremos como será aproveitado em prol dos Açorianos.

Nos Açores mantém-se também a onda da Coligação e agora a situação torna-se mais consistente, pois a Região em cada eleição tende, maioritariamente, a seguir a tendência nacional, indiciando assim que a atual governação está a enraizar-se e deve estar a criar o seu ciclo de ocupação do poder, enquanto o PS pode ter um deserto pela frente mais longo de que perspetivava com os últimos resultados regionais.

Em termos nacionais a vitória do PS deve saber a pouco, vencer por menos de um por cento de diferença e perder ainda um deputado não dá fôlego para cavalgadas imediatas de conquistas do poder. É verdade que o Governo da AD no último mês fez tudo o que pôde para melhorar a sua imagem, mas também é verdade que a rosa e o Chega tudo fizeram para o atrapalhar e no mês anterior o executivo dera vários tiros no pé que devem ter feito mossa.

Pior ainda para o PS quando a esquerda, no seu todo, encolheu 4 deputados: é muito lugar perdido para quem precisa de aliados para criar uma alternativa, enquanto a AD não perde um único lugar e vê à sua direita mais 4 deputados e se estes não lhe vão facilitar a governação, também, seguramente, não se vão coligar com o PCP, BE e Livre para colocar a rosa no poder.

O IL canta vitória porque elegeu 2 deputados, um deles uma Açoriana, mas manteve-se em quarto lugar e se para a extrema-direita o valor obtido acima dos Liberais é uma derrota, tal deve-se às perspetivas elevadas que esta tinha e o desejo de chegar ao primeiro lugar, enquanto o IL partia de baixo e não sonha tão alto.

Na Europa, mesmo com a vitória do PPE e o segundo lugar para os socialistas, o centrão da União treme com o crescimento do populismo extremista da direita, onde parte deste é inimigo da democracia ocidental e é muleta de Putin. Sombras mais negras pairam sobre o Velho Continente!

Assim, tirando o reforço da representação açoriana no PE e a palavra dada por Montenegro de que apoiará Costa, o que suavizará tensões entre os partidos do centrão nos próximos meses, destas eleições não resultaram, a médio prazo, nem bons ventos para a democracia Europeia, nem maus para a estabilidade nacional, mas talvez tenha sobrado uma vitamina para o Governo dos Açores.

Terminadas as eleições para o Parlamento Europeu de 2024, sou de opinião que para nenhum partido em Portugal estas eleições foram um resultado plenamente satisfatório, embora tenha sido melhor para uns e pior para outros e em grau diferente em função da escala: Ilha, Região, País ou Europa.

Em primeiro lugar, num Esta…





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