Carlos Faria

Todos bem-falantes e incapazes de governar bem

14 de Novembro de 2023


Nos últimos 25 anos, o PS governou Portugal perto de 18 anos e todos os seus três Primeiros-ministros foram pessoas bem-falantes que se demitiram, não por perderem eleições legislativas, não por moções de censura, mas sempre por problemas internos da sua governação.

Guterres, um bem-falante nato, não foi previdente na ação política, viu o País cair num pântano de governação e, atolado na lama da sua gestão, abandonou o barco e demitiu-se, deixando Portugal pior do que antes. Um homem honesto, mas incapaz de ser previdente e, ao nível internacional, como Secretário-Geral das Nações Unidas, também não tem sido capaz de, a tempo, evitar que o Mundo se esteja a afundar num pântano de guerras que ameaçam todo o Planeta.

José Sócrates, outro bem-falante e com uma capacidade oratória assertiva difícil de igualar, por má gestão financeira, levou o País à bancarrota e demitiu-se, chamou a troika para que entidades estrangeiras nos impusessem um plano de gestão das contas públicas nacionais a troco de um empréstimo a um Portugal praticamente falido. Todas as acusações públicas de corrupção pelo Ministério-Público foram posteriores à sua demissão.

António Costa, tem uma capacidade de argumentar que o torna num bem-falante, por teimosia sua, desresponsabilizou elementos da sua equipa de erros políticos evidentes e promoveu pessoas cuja proximidade a Sócrates levantavam suspeitas de serem menos dignas para os cargos a ocupar. Assim, trouxe para o núcleo da sua gestão gente sob investigação de corrupção que até escondia dinheiro vivo na residência oficial do Primeiro-ministro, claro demitiu-se e deu uma imagem internacional de um Estado corrupto. Piorou o serviço nacional de saúde, a educação e atacou o poder de compra dos Portugueses até sermos ultrapassados por vários países do leste europeu.

Sim, os Portugueses sabem que querem muito do que o PS diz através dos seus líderes bem-falantes, só que os governos deste Partido fazem o contrário do que anunciam e vendem banha da cobra para se manter no poder e quando a situação fica insustentável, demitem-se deixando o País e os Portugueses pior do que receberam e sem fazer as reformas estruturais fundamentais a Portugal.

É lindo dizer que se tem uma enorme paixão pela educação, enquanto se degrada as condições profissionais e salariais dos professores do sistema público e se despreza por motivos ideológicos o ensino privado, mas o resultado tem sido de mau a pior.

É cativante declarar-se grande defensor do Serviço Nacional de Saúde, mas à custa de maus salários e do excesso de horas de trabalho dos médicos e ainda acusam os Portugueses de irem demasiado à urgências, mas foi o PS que recusou tanto potencial particular instalado que podia ter aproveitado e não foi capaz de manter os novos médicos no País. Assim, o Serviço Nacional de Saúde só tem evoluído para pior.

É conveniente não falar de austeridade e dizer que se está a reduzir dívida pública, mas tal tem sido feito à custa de quem trabalha em virtude de uma imposição, como nunca, de uma carga fiscal enorme com impostos indiretos aos Portugueses, uma forma de aplicar uma austeridade camuflada ao Povo e as condições de vida na classe média estão cada vez pior.

Por esse mundo fora tem sido evidente que Países com corrupção ao mais alto nível do Estado, mesmo quando têm bons dados estatísticos na economia, os seus Povos tendem a viver mal. O atual Governo tem falado de sucessos estatísticos, mas os Portugueses não têm beneficiado com isso, o que é típico de um Estado onde a riqueza é comida pela corrupção. Espero que a Justiça consiga fazer o seu trabalho se for esta a causa do empobrecimento progressivo dos Portugueses.

Curiosamente, quando o PS cai e fica na oposição, não perde a capacidade de ser bem-falante e passa a exigir aos outros para fazerem em pouco tempo o que eles não fizeram em décadas e, até como se viu no passado sábado, mesmo antes de sair, já o Primeiro-ministro descaradamente veio culpar o quadro legal do País que ele próprio, com maioria absoluta, não reformou no que era prioritário para assim se desculpar de acusações de corrupção a membros do seu Governo.

Infelizmente, há sempre quem se deixe enganar por quem sabe falar bem.

Nos últimos 25 anos, o PS governou Portugal perto de 18 anos e todos os seus três Primeiros-ministros foram pessoas bem-falantes que se demitiram, não por perderem eleições legislativas, não por moções de censura, mas sempre por problemas internos da sua governação.

Guterres, um bem-falante nato, não foi previde…





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