João Garcia

Resgatar as Termas do Varadouro

09 de Novembro de 2023


As Termas do Varadouro representavam, sem dúvida, uma atração de destaque, devido à qualidade singular das suas águas minerais. Com propriedades terapêuticas comprovadas, estas águas atraíam visitantes em busca de alívio para uma variedade de condições de saúde, como problemas de pele, doenças reumáticas e distúrbios respiratórios. O calor e a mineralização destas águas oferecem benefícios palpáveis, proporcionando alívio para dores, desconfortos e condições dermatológicas. Pessoas de todas as idades dirigiam-se à freguesia do Capelo para desfrutar dos efeitos revitalizantes destas águas curativas.

Para além dos benefícios terapêuticos e de lazer proporcionados pelas Termas do Varadouro, a sua existência desempenhava, e pode voltar a desempenhar, um papel vital no turismo na Ilha do Faial, atraindo visitantes em busca não apenas das propriedades curativas das águas, mas também da beleza natural e da cultura local. Estas termas podem contribuir para o desenvolvimento da economia regional, para diversificação da oferta turística e para a criação de oportunidades de emprego qualificado.

O edifício das Termas do Varadouro, inaugurado em 1954, dotou a Ilha do Faial de instalações termais de destaque, mas o seu encerramento nos anos 90 do século passado marcou o início de um processo de incertezas e justificações. Alegações sobre o desaparecimento da fonte termal, dificuldades na recuperação do furo e a necessidade de encontrar um novo local para perfuração, tornaram-se desculpas recorrentes.

Apesar do potencial inigualável das Termas do Varadouro, a história da sua reabilitação tem sido marcada por desafios e compromissos esquecidos. Iniciativas para revitalizar estas termas foram anunciadas ao longo dos anos, mas obstáculos diversos e falta de ação efetiva terão ditado sucessivos insucessos para este projeto.

Os projetos de reabilitação anunciados sofreram atrasos e reviravoltas, levando a uma série de promessas não cumpridas ao longo dos anos. A mudança de governos e ciclos eleitorais adicionou um elemento lamentável:

Na Ilha do Faial, a estratégia de recuperação será diferente daquela implementada nas restantes zonas do arquipélago. Neste contexto, os responsáveis do passado e do presente, ligados à área do Turismo, concordam que o Governo não irá investir na sua reabilitação, permanecendo à espera indefinidamente de um investidor privado. Em resumo, no Faial, o problema está a ser abordado de forma distinta. Nas Ilhas Graciosa e São Miguel, foi o Governo que se encarregou da recuperação das Termas do Carapacho e das Termas da Ferraria.

É desanimador, até dói olhar para aquele belo edifício a degradar-se irremediavelmente, devido à negligência e desleixo. As casas circundantes, adquiridas para fazer parte do processo de recuperação, conjuntamente com as antigas casas das termas, são uma imagem degradante. Deverá haver uma justificação para, sistematicamente, o património sob a alçada das entidades públicas nesta ilha estar quase todo num estado deplorável, e será importante perceber a razão pela qual encolhemos os ombros perante estas situações.

É essencial que a comunidade local, as instituições e os líderes políticos locais trabalhem em conjunto para resgatar este tesouro natural que não deve ser relegado ao esquecimento, mas sim desenvolvido para proporcionar benefícios significativos à saúde, ao turismo e à economia da Ilha do Faial.

Em síntese, as Termas do Varadouro não são apenas um edifício, mas uma oportunidade que há quase 30 anos aguarda a concretização de ações que cumpram os compromissos assumidos com os faialenses.

As Termas do Varadouro representavam, sem dúvida, uma atração de destaque, devido à qualidade singular das suas águas minerais. Com propriedades terapêuticas comprovadas, estas águas atraíam visitantes em busca de alívio para uma variedade de condições de saúde, como problemas de pele, doenças reumá…





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