02 de Abril de 2024
O futebol do Atlético está em risco para a próxima época
Fernando Lemos

lemosincentivo@gmail.com
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Governo Regional dos Açores pode deitar tudo a perder

O presidente do Angústias Atlético Clube, Luís Medeiros, revelou ao jornal INCENTIVO que se não surgirem os apoios necessários para a construção de um sintético, não existem condições para o clube continuar a ter futebol e já decidiu, em conjunto com a sua direção, que o fim da modalidade acontecerá já para a próxima época.

«O Atlético é a ovelha negra do desporto faialense e regional», afirma e sublinha: «está na altura de mostrarem respeito pelo Atlético e pela sua história».

Luís Medeiros recorda o historial do clube, um dos maiores a nível Açores, campeão regional em seniores por cinco vezes e campeão regional na formação por duas vezes e salienta que foi o primeiro clube de onde saiu um atleta para jogar num grande de Lisboa e para jogar na Seleção Nacional.

Para o dirigente, o clube cumpre com os requisitos para que seja apoiado na construção de um sintético, desde logo pela necessidade em ter este equipamento, por estar localizado numa das freguesias mais populosas do Faial e pelo seu historial, que representa em primeiro lugar o trabalho que tem sido feito ao longo dos seus 102 anos de vida.

«Sinto cada vez mais que não querem ajudar o Atlético», confessa Luís Medeiros e compara a realidade do clube com outros clubes da região e do Faial que já têm campo sintético há mais de vinte anos e já viram até, recentemente, o seu sintético ser renovado.

A luta pela construção de um sintético começou há 20 anos. E começou por uma tentativa de unir esforços com o vizinho Sporting da Horta, mas não foi para a frente.

Em 2014, quando assumiu a direção do clube, Luís Medeiros avançou com uma candidatura aos apoios do Governo Regional para a colocação de um sintético. O processo começou por ficar bloqueado por falte de verbas. No ano seguinte a resposta do Governo regional volta a ser negativa, desta vez por causa da titularidade do terreno.

Embora o clube tivesse documentação da antiga Junta Autónoma dos Portos que cedia o terreno enquanto o Atlético tivesse atividade, a realidade tinha-se alterado entretanto com o aparecimento da empresa Portos dos Açores que nessa altura colocou entraves de ordem burocrática, levando ao esmorecimento da vontade do clube.

Em 2022, com a mudança de Governo Regional nos Açores, Luís Medeiros revela que o clube voltou a insistir e avançou com nova candidatura em fevereiro desse ano. Sem resposta insistiu em março mas a resposta só veio seis meses depois novamente com a questão da titularidade do terreno.

«Era necessário um documento da entidade proprietária, a Portos dos Açores, com a cedência desportiva por 25 anos», afirma Luís Medeiros. Desta vez e com o atual presidente da Portos dos Açores foi possível ultrapassar as burocracias e em dezembro de 2022 o clube obtinha o documento de cedência por 25 anos.

Documento que foi enviado para a Direção regional de desportos ainda antes do dia 6 de janeiro. «A nossa esperança era que nas cerimónias do centenário do Clube houvesse uma resposta positiva por parte do Governo Regional».

Mas não foi isso que aconteceu: «o senhor diretor regional deu-nos aquela prenda dizendo que não se justificava o apoio pois o clube apenas tinha 20 atletas na formação».

A justificação não convenceu Luís Medeiros e a sua direção e fizeram ver ao diretor regional que os critérios para o apoio estavam reunidos: a necessidade, a localização numa freguesia populosa e todo o historial do Clube.

Luís Medeiros argumentou ainda que esse número de atletas com outras condições em termos de campo cresceria com muita facilidade. «É muito difícil captar atletas quando estamos em desvantagem perante os outros clubes que oferecem condições de trabalho muito mais atrativas».

E enfatiza o esforço que o Clube tem feito para manter escalões de formação e a sua equipa de seniores que tem de treinar durante a semana no campo de futebol sete da Escola Manuel de Arriaga para depois no fim-de-semana ir jogar num campo de futebol de 11.

«Tem sido um esforço muito grande», diz Luís Medeiros mas mesmo assim perante todas estas circunstâncias o Atlético, em 2017, conseguiu ser campeão de iniciados e no Campeonato Regional conquistar 4 pontos, vencendo mesmo o campeão da prova.

O Clube não atirou a toalha ao chão e voltou a insistir com o diretor regional do Desporto a meados de 2023. Perante a insistência a resposta verbal, e nunca escrita, foi a de que a prioridade em 2023 ia para o campo do Flamengos e para 2024 o apoio para o sintético do Atlético seria inscrito no orçamento da Região.

Entretanto aconteceu a queda do Governo Regional e as eleições que se seguiram. Passada esta fase, o Atlético voltou a insistir enviando uma exposição a 8 de março para a Direção Regional do desporto e para a secretaria regional que tutela o desporto.

Até hoje ainda não obteve resposta. «Queremos que nos digam alguma coisa por escrito, sim ou não».

Uma resposta que é determinante para o futuro do futebol no clube.

Com um projeto na ordem dos 260 mil euros, o Clube já garantiu 70 mil euros da Associação de Futebol da Horta, no âmbito do programa da Federação Portuguesa de Futebol «Crescer 2024»

«O dinheiro veio primeiro de onde não estava à espera», salienta o presidente do Atlético. A este apoio juntaram-se as declarações do presidente da Câmara Municipal da Horta nas cerimónias do centenário: «disse-nos que cabia ao Atlético dar o primeiro passo».

«E foi o que fizemos, achámos que não podíamos desperdiçar a oportunidade e avançamos com as obras em agosto do ano passado», primeiro com as terraplanagens para o nivelamento do campo.

«Contámos com a ajuda das Obras Públicas e dos Serviços Florestais que colocaram quatro  homens durante duas semanas a trabalhar no nivelamento do campo». «Foram incansáveis», acentua Luís Medeiros.

E veio também a primeira tranche da Associação de Futebol da Horta. Depois a obra parou à espera dos apoios da Câmara da Horta e do Governo Regional.

Da autarquia já há sinal verde. O Clube vai assinar um protocolo com a Câmara Municipal da Horta esta quinta-feira, também na ordem dos 70 mil euros. Fica a faltar a resposta do Governo Regional e um apoio que permita assegurar a parte que falta para chegar aos 260 mil euros do projeto.

«Arrisquei em avançar com a obra, assumo isso perante os sócios do Clube, mas não podia desperdiçar a oportunidade que nos era dada pela Associação e pelo compromisso assumido pela autarquia», assume Luís Medeiros.

O presidente do Angústias Atlético Clube, Luís Medeiros, revelou ao jornal INCENTIVO que se não surgirem os apoios necessários para a construção de um sintético, não existem condições para o clube continuar a ter futebol e já decidiu, em conjunto com a sua direção, que o fim da modalidade acontecer…





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