08 de Novembro de 2022
Restaurantes faialenses preferem apostar na inovação do que na tradição
INCENTIVO

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Turistas procuram produtos locais de qualidade

M ais do que pratos tradicionais, “os turistas procuram pratos com produtos locais de qualidade”. Esta foi uma das frases mais repetidas pelos participantes num seminário realizado na Horta, “Faial: Descobrir a História, Pensar o Futuro” promovido pela Associação de Turismo Sustentável do Faial e a Horta Histórica.
Neste sentido, Ricardo Moutinho, chef de um restaurante de hotel da cidade, afirmou que nos seus menus faz questão de ter pratos confecionados com produtos locais, referindo, contudo, que a aposta não passa pela gastronomia tradicional. 
Num encontro onde se discutiram as oportunidades e dificuldades associadas à exploração da cozinha tradicional na restauração faialense, houve dificuldade em definir que pratos devem ser considerados típicos do Faial.
Isabel Fraga, proprietária de um snack-bar e antiga professora na Escola Profissional da Horta na área da cozinha, referiu que “vamos esquecendo a nossas raízes”.
Por outro lado, Sérgio Nazaré, chef e proprietário de um restaurante, afirmou que o receituário tradicional açoriano “é escasso”, acrescentando que “quase todas as receitas que dizemos serem nossas vieram de Portugal continental e foram adaptadas por nós”, apontando, como exemplo, a alcatra enquanto “derivação da chanfana”. 
Os participantes lamentaram “a falta de uma base de dados” sobre a gastronomia tradicional açoriana e consideraram “importante recuperar o receituário antigo” do Faial.
O investigador Tiago Simões da Silva, da Horta Histórica, revelou, neste sentido, que está a ser feita “uma recolha de produtos e receitas”, adiantando que, “em março ou abril do próximo ano, vai haver um colóquio regional sobre cozinha tradicional dos Açores”. 
Simões da Silva defendeu que “o que temos vem de todos os sítios, mas o que faz a nossa gastronomia é como adaptamos [as receitas e os produtos]”, apontando o uso (e abuso) das especiarias como exemplo de “uma identidade muito própria” da cozinha faialense, que pode ser abordada. 
Num debate muito participado, a ausência de pratos típicos nos menus dos restaurantes do Faial foi apontada pelo público, tendo sido observado que a gastronomia tradicional “não está a ser devidamente valorizada enquanto produto turístico e cultural”. 
Isabel Fraga referiu, a propósito, que na época alta não confeciona fofas, um doce típico que se come tradicionalmente pela altura do Carnaval, “por falta de mão-de-obra”. 
Defendeu-se, ainda, que, enquanto experiência cultural, “a gastronomia vai além do receituário”, destacando-se, neste sentido, “a importância dos produtos locais, e do seu sabor, na nossa identidade gastronómica”. Por parte da audiência houve críticas à restauração “por não valorizar de onde vem o produto”. 
Apesar de os representantes da restauração presentes defenderem que, na hora de escolher, optam por produtos locais, admitiram que não vão à procura de novos fornecedores locais. 
A falta de produtores locais, a escassa mão-de-obra na restauração, bem como a necessidade de haver mais oferta formativa foram outros temas abordados. 
A mesa-redonda sobre gastronomia tradicional e turismo contou ainda com a participação de Vasco Medeiros, produtor biológico certificado, Cristina Melo, responsável pelo projeto LOCAL – FOOD CULTURE, que pretende preservar a identidade da gastronomia açoriana, e Vitório Fidalgo, empresário turístico e produtor agrícola.

M ais do que pratos tradicionais, “os turistas procuram pratos com produtos locais de qualidade”. Esta foi uma das frases mais repetidas pelos participantes num seminário realizado na Horta, “Faial: Descobrir a História, Pensar o Futuro” promovido pela Associação de Turismo Sustentável do Faial e a Horta Histórica.
Neste sentido, Ricardo Moutinho, chef de um restaurante de ho…





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