08 de Junho de 2022
“Não há solução à vista” para falta de papel nos Açores
Lusa

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Problema é transversal a todo o país

O presidente da Associação Portuguesa das Indústrias Gráficas e Transformadoras do Papel (Apigraf) afirmou à Lusa que a falta de papel nos Açores “é transversal ao país todo” e que não há solução à vista.

José Manuel Lopes de Castro adiantou ainda que há projetos à espera de saber se há papel ou não para saberem se arrancam.

O presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, João Palmeiro, disse hoje à Lusa que já só há papel nos Açores para poucas semanas.

Sobre este tema, Lopes de Castro explicou à Lusa que os Açores têm algumas unidades gráficas e os fornecedores estão no continente e enfrentam um “duplo problema”.

Ou seja, “têm o problema da falta do papel e o da logística transporte”, explicou, referindo ter conhecimento da situação, uma vez que são associados da Apigraf.

“Infelizmente não estamos a ver solução para a falta de papel nos Açores”, mas “ela é transversal ao país todo, não é em zonas concretas, é no país todo”, sublinhou Lopes de Castro.

“O tema papel permanece com poucas alterações, aparentemente com alguma estabilização de preços, ainda não completamente, mas já está a estabilizar”, mas “os prazos de entrega continuam elevados, elevadíssimos, estamos a falar em situações estranhas, estranhas do tipo entregamos para o ano que vem”, contou o responsável.

O presidente da Apigraf salientou que se sente já “o efeito” da greve que “durou tempo demais” na Finlândia, na papeleira UPM.

Sobre a falta de papel, o presidente da Apigraf recorda que isso já se registava desde o ano passado e que as razões resultam de “situações complexas”, como unidades produtivas que encerraram e “se encerraram a capacidade deles saiu do mercado”.

Ainda do ponto de vista europeu, há unidades produtivas “que mudaram o seu tipo de produção dos chamados papéis gráficos” para papéis kraft.

“E porque é que mudaram? A pandemia disparou o comércio eletrónico, o comércio eletrónico precisa de papel kraft para ser transportado pelo mundo todo”, mas “não se criaram empresas novas, foram as empresas papeleiras que existiam que desviaram essa produção para o papel kraft”, explicou.

“Agora, é possível recuperar isto? Tenho dúvidas porque num projeto de natureza papeleira estamos a falar sempre de anos, portanto, qualquer solução não vai ser imediata”, considerou.

Depois, veio a guerra entre a Rússia e a Ucrânia que agravou ainda mais a situação.
“Como é óbvio, agravou mais ainda porque os dois países em causa, a Rússia e a Ucrânia, têm uma interferência direta nesta matéria-prima: a Rússia como fornecedor da madeira e a Ucrânia como fornecedor de amido, as duas componentes para a produção da pasta”, sublinhou Lopes de Castro.

Instado a fazer um balanço do primeiro semestre, o presidente da Apigraf disse que ainda não tinha dados detalhados, mas que a informação que tem a nível nacional “é que o setor da embalagem está estabilizado”, que inclui embalagem, rótulos, etiquetas.

O setor editorial “está em baixa”, ou seja, as revistas, jornais ou livros estão “em baixa comparativamente, por exemplo, com o ano passado”, disse.

Estes são dados que “temos por sensibilidade”, mas não estão trabalhados ao nível do Instituto Nacional de Estatística (INE).

“Faremos essa análise mais à frente”, acrescentou, salientando que o que irá acontecer na segunda metade do ano vai depender muito da evolução do papel.

“Há projetos que estão à espera de saber se há papel ou não. Se não houver papel esses projetos não saem e isso vai refletir-se naturalmente nas contas do setor”, apontou.
Trata-se de projetos de media, editoriais, catálogos de empresas, muitos projetos de natureza gráfica.

Por exemplo, as empresas fazem normalmente um catálogo no mês de setembro, se não houver papel não adiam, simplesmente não fazem, passando para o ano seguinte. Outras podem apostar no digital como alternativa.

“Tenho dito ultimamente que estamos numa tempestade perfeita porque de facto são vários fatores a convergir tudo para o mesmo sítio e sem solução à vista”, rematou José Manuel Lopes de Castro

O presidente da Associação Portuguesa das Indústrias Gráficas e Transformadoras do Papel (Apigraf) afirmou à Lusa que a falta de papel nos Açores “é transversal ao país todo” e que não há solução à vista.

José Manuel Lopes de Castro adiantou ainda que há projetos &agra…





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